sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Eu sou gorda?

Eu nem sei quantas vezes devo ter feito essa pergunta à minha mãe. Nem sei se a fiz um dia. Lembro de me olhar no espelho e ter uma única certeza... eu era gorda. Aliás, era essa a única forma de me magoar com palavras (e meus irmãos sabiam bem disso, valeu galera!!). Já fiz dietas loucas, já fiquei sem comer para compensar, já chorei litros porque o espelho era mau comigo. Sofri horrores a minha infância inteira por conta da barriga. Minhas amigas sempre eram baixinhas e magrinhas... eu sempre fui grande, larga, forte. Vendo as fotos antigas nem me acho gorda. Cheinha, talvez. Mas o bullying (agora que tem nome bonito não vou deixar de usar) sofrido por anos deixou marcas que me acompanham e ainda me assombram.

Depois que me tornei mãe da Júlia meu maior medo era que ela passasse pelo o que passei.

Com 1 mês e meio de vida Júlia começou a tomar complemento, pois eu não tinha leite (e nem informação) suficiente. Ela rapidamente ganhou peso e desde então sua barriguinha se mostrou saliente. Nada fora do comum, porém. Com o tempo o abdomen estufado foi se tornando motivo de preocupação. Algo não parecia certo. Aos 4 anos fizemos uma investigação, mas nenhuma anomalia física foi encontrada. O médico homeopata sugeriu que a hiperfermentação produzida era fruto de uma deficiência em manganês. Desde então, Juju toma gotas de manganês antes de dormir. Melhorou. Não 100%, mas a barriguinha dela não fica dura mais.

Acontece que esse ano a preocupação dela com o corpo apareceu. Ela é uma menina descolada, por isso às vezes é preciso um olhar sutil para perceber algum incômodo. As falas não demonstravam qualquer problema... apenas uma maior consciência corporal (o que é esperado para a faixa etária dela). "Mãe, eu não estou mais magrinha hoje?"; "Mãe, essa roupa me deixou sem barriga, né?". Até que dia desses ela foi mais direta: "Mãe, você me acha gorda?".


Imagem retirada do Google Images

Por um instante fiquei sem palavras. Olhava pra ela e parecia olhar para mim. Perguntei se alguém a chamava de gorda e ela disse que sim, os meninos da escola (arrrghh!! sempre eles!!!). Contei um pouco da minha história, de como sofri com isso também. Falei que é preciso se alimentar bem e não deixar os exercícios de lado. Mostrei que a gente já toma esses cuidados e ela se deu por satisfeita.

Mas depois da nossa conversa... a pulga pulou para minha orelha. Não quero que ela desenvolva transtornos, nem que não goste de si mesma. Fiquei instigada em como acompanhá-la ativamente nesse processo, ajudando-a a fortalecer sua autoestima.


Alguém aí já passou por algo parecido?!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Palavra de mãe

Imagem retirada do Google Images

Filhas, minhas queridas...

Minha mãe também dizia isso; quando, já não me lembro bem. Parece que ouvi a vida inteira, mas só depois de tê-las sob minhas asas entendi. Suas caminhadas devem sempre ser acompanhadas do equilíbrio. Viver equilibradamente é reconhecer a existência de limites. Para tudo. Para todos.

Desta data que escrevo observo vocês brincarem.

Júlia, sua irmã ainda não completou um ano de vida, mas já segue sua direção. Desde pequenina ela te acompanha, antes com os olhos, hoje com seus passinhos. Aceite quando ela quiser caminhar para outro lado, apóie.

Joana, sua irmã se orgulha muito e se emociona a cada conquista sua. Às vezes acho que ela tem medo de te perder e por isso te prende, te aperta. Mas vai chegar o momento em que ela vai crescer... ficar ainda mais grandona... e vai querer estar só. Respeite, como eu a ensino desde já a respeitar seus espaços.

Imagino vocês crescidas, moças, amigas. Espero estar cumprindo bem o meu papel para que isso seja possível.

Amo vocês um amor que não cabe em verso!

Com carinho,
Mamãe.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Fui lá, mas volto já!

Só agora consegui correr aqui pra avisar que hoje estamos lá no MÃEnual de Instruções.
A queridíssima Cin me convidou para participar de uma série de entrevistas que ela bolou - Maternidade em suas Diversas Nuances. Foi uma delícia responder às perguntas e fiquei lisonjeada pelo convite!

Obrigada MAIS UMA VEZ, Cin!! Sucesso!

Já conhece o MÃEnual?? Corre !

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Relato ao quadrado (Parto da Joana) - continuação

(continuando...)

Então que minha segunda gravidez ficou marcada para ser totalmente diferente da primeira.

A segunda - depois que eu passei REALMENTE a desejar por ela - seria programada (alguém aí já vomitou tanto que ficou com trauma da gravidez??). Eu estaria muito bem casada, com a carreira caminhando bem... Eu pararia de fumar 2 anos antes (é... eu fumava), faria exercícios físicos durante toda a gravidez para não engordar mais que 13kg... Eu diria poucas e boas para qualquer médico que viesse com papo cesarista antes da hora... Eu não iria sofrer de ansiedade (mãe experiente não tem pressa)... Eu iria fazer um plano de parto... Eu iria... Eu iria...

Joana foi concebida com muito amor, mas eu ainda estou estava engatinhando na vida profissional e morava na casa da minha sogra (num espaço em que um armário fazia divisória entre a cama de casal e a cama da Júlia). Lembro do dia em que fizemos Joana...

Eu usava desde os 4 meses de vida da Júlia o DIU de cobre. Nunca me deu problemas, apesar de aumentar um pouco o meu fluxo menstrual (que sempre foi intenso). Tirando o desconforto... isso não seria impedimento para o uso do DIU caso eu não tivesse uma anemia severa... depois de uma reposição de ferro intravenosa meu ginecologista indicou a troca do DIU de cobre pelo Mirena (com hormônio). Fui murrinha, não dei ouvido para o Juan que dizia ser mais barato o Mirena que ter um filho (ô boca!) e fiquei tentando encontrar uma pílula, pois queria engravidar dali 3/4 anos. Reagi mal às pílulas que tomei e nesse troca, troca... engravidei.

A notícia não foi dada como eu imaginava, a reação do pai não foi como eu sonhava... o xixi no palitinho foi feito com mãos trêmulas, sozinha, no banheiro do trabalho. O choro no telefonema para o Juan era de desespero e não de alegria como eu queria. Depois desse primeiro susto, depois da revelação para a família, depois de concluírmos que a vida ia dar um jeito... a gravidez começou a ser curtida. Percebi, dessa vez, as mudanças no meu corpo de uma forma incrivelmente lúcida.

Aos 2 meses de gestação tive um sangramento provocado por um hematoma próximo ao saco gestacional e tive que ficar de repouso absoluto até o 4º mês. Nesse período fiquei distante do meu companheiro física e emocionalmente... Nos meses seguintes sofri de muito estresse. Lembro de me desculpar com a barriga muitas vezes... aos prantos. Cresci muito e descobri novos limites pessoais.

Depois de liberada quase não fiz exercícios, não me alimentei como tinha planejado. No 6º mês tive outro sangramento. E lembro que dizia que a Joana não ia querer nascer depois de tanta droga que tomei para segurá-la. Tinha medo de não entrar em trabalho de parto de novo.

Desde o início disse ao meu médico que queria tentar um parto normal. Contei da minha primeira experiência e estava tranquila de que ele era o homem certo para me acompanhar (eu tinha assistido a uma palestra dele num curso que fiz ainda grávida da Júlia e ele defendeu lindamente o parto normal e se mostrou escandalizado com o alto índice de cesáreas nos hospitais particulares). Só que desde a primeira consulta ele disse que só faria um parto normal caso eu fosse dessas mulheres manteigas... mal entra em TP e 8 cm de dilatação. Qualquer coisa diferente disso seria muito arriscado. Eu deveria ter buscado outro médico desde já, mas... eu tinha o discurso dele na cabeça e, além disso, ele é hiper respeitado e recomendado.

Meu ganho de peso excessivo começou no segundo trimestre e me surpreendia que a cada consulta ele só me elogiasse. Ele sempre dizia que eu era grande e que não precisava me preocupar. Mas eu precisava sim. O ganho de peso me deixava mais cansada, prostrada. O ganho de peso me afastava do parto normal tão desejado. Ao final da gestação eu contava 25kg a mais. Minhas pernas e pés estavam inchados como eu nunca imaginei ver. Elefantiase, sabe?

A DPP da Joana tinha sido marcada pelo doutor para 10/10/2010. Só que nesse dia eu teria 39 semanas e 2 dias de gestação e não 40 como reza a lenda. Só fui questionar o médico sobre isso na última consulta. Na consulta em que ele sugeriu que eu marcasse a cesárea para esse dia. O argumento dado por ele é que sempre há uma variação de 1 ou 2 semanas na contagem... e que ele não queria arriscar a minha contagem estar errada para mais (mas tudo bem estar errada para menos????). Será que eu fiz essa pergunta? Nem lembro mais... enfim...

A minha ansiedade estava bombando!! Na última semana de gravidez eu tive a companhia da minha mãe (que estava mais nervosa do que eu). Ela marcou as férias dela para me acompanhar no primeiro mês com a Joana. Minha relação conjugal estava muito fragilizada e esse apoio dela foi fundamental para que eu não caisse em depressão. Só que ela marcou as férias muito cedo... e aí eu comecei a torcer para a Joana chegar logo. Uma gravidez de risco... toda trabalhada para que chegasse pelo menos na 37ª semana... todos meio que esperavam por um bebê prematuro. E nada. 37, 38, 39 semanas e nada. Eu comecei a achar que seria como da outra vez. E foi.

O médico jogou o terror... perguntou se eu queria marcar a cesárea para o dia 10/10 ou se eu queria esperar mais. "A escolha é sua" ele embalou. Eu pensei... e ele logo interrompeu minha reflexão para me lembrar que no dia 10 a agenda dele estaria disponível e que daí pra frente ele não poderia garantir. Que eu podia tentar meu parto normal, mas que provavelmente não seria com ele. Pronto. Tirou meu chão, minha segurança. 1 semana das férias da minha mãe já tinham passado... a Joana poderia demorar por mais 3 semanas... e eu me vi sozinha. Estava gorda, pesada, inchada, cansada, triste, com medo da solidão... e disse ok.

Lembro que sai da sala do médico com a sensação de que poderia me arrepender, mas que naquele momento era aquilo que eu dava conta de fazer. Eu mal andava e já estava esbaforida... como iria aguentar horas de TP? Olhando para mim era nítido que eu não tinha me preparado para o parto dos meus sonhos... mas ainda conversei com a barriga... desejando que Joana resolvesse sair dali sozinha... antes do dia 10.

Não aconteceu.


Arrumei minhas últimas coisas no dia 9 e 00h fomos para o hospital. Eu poderia ser internada a partir das 00h01 do dia 10. Trâmites de convênio. Dessa forma eu não precisaria sair correndo pro hospital no meio da madrugada (e correr o risco de chegar atrasada... de novo). A dica foi do médico... e eu gostei. Demorei um monte para conseguir dormir, a cabeça não parava. Juan apagou... nessa época ele estava envolvido com a pizzaria que estava abrindo... e isso consumia muito dele. Muito mais do que eu gostaria... Às 6h, mais ou menos, uma enfermeira entrou para que eu começasse a me preparar para o parto. Tomei banho, pedi aos anjos que me protegessem e que trouxessem minha filha com muita saúde. E chegou a hora. Juan ficou comigo durante todo o tempo. Na sala de espera (tinha uma fila de cesáreas marcadas...) começamos a ouvir o choro do bebê que nasceu antes da Joana. O pai se emocionou tanto que parecia a filha dele. Eu estava calma. Não tinha mais ansiedade, nem preocupação. Já sabia o que estava por vir. Entramos na sala de parto, tomei anestesia, vomitei... percebi a sala beeeeeem menos gelada de quando tive a Juju (foi tudo no mesmo hospital). Não passei mal como da outra vez, mas estava meio grogue. O Juan chorava e tirava fotos... eu tinha pedido pra ele registrar aquele momento da melhor maneira possível. Ele tirou nota 10! Percebi o médico tenso... um pouco depois de dizer que "estava quase" ele disse "obrigado, meu Deus... ganhei meu dia!". Eu não tava entendendo nada daquilo. Joana nasceu, não chorou e foi levada rapidamente pela pediatra (acompanhada do Juan) sem ao menos colocarem ela perto de mim... lembro de me dizerem "mamãe, ela já volta... não se preocupa!". Como assim??? Não senti aquela emoção do nascimento da Ju... eu nem conseguia chorar... eu só repetia... baixinho (minha voz ACABOU nas duas vezes - terá a ver com a anestesia??)... "cadê minha filha, preciso ver minha filha". O anestesista foi o único que me "ouviu" e ele dizia que ela estava bem... que já viria. Eu só conseguia pensar no choro que não ouvi... no rostinho que não conheci. Aí o meu médico vira para o outro e fala "4 circulares!! Já tinha visto?! É raro!". E aí o Juan entra com minha pequenina nos braços... toda enroladinha... olhinhos abertos e linguinha inquieta. Logo fomos para a sala de recuperação, eu estava doida para colocá-la no peito. A enfermeira ajudou e dessa vez achei bem mais fácil (mesmo sem poder levantar a cabeça - que saco!). Ela mamou bastante e eu não demorei quase nada para voltar a sentir as pernas. Foi muito rápido! Lembro que meu corpo começou a formigar... chamei a enfermeira, relatei a sensação e ela disse "é normal... é por causa da morfina!". Morfina???? Isso foi novo pra mim. No parto da Júlia fizeram a peridural, no da Joana a raquidiana (com morfina... o médico disse que trata as grávidas dele como pacientes de câncer... são pessoas que não merecem sentir dor. Achei meio bizarro, mas não senti dor alguma mesmo). Não sentir dor foi importante para dar conta da primeira noite com ela. Juan apagou... esgotado, pois não dormia bem havia umas 3 noites. E eu - macaca véia - dei conta da neném madrugada afora com o soro grudado no braço. Foi fácil não... mas fico orgulhosa de ter conseguido. Dessa vez não tive problemas com a pressão e à noite já andava pra lá e pra cá. Tomei banho sozinha. No dia seguinte o doutor veio me ver e conversar. Disse que Joana estava com toda a extensão do cordão enrolada no pescoço. Disse que se sentiu agraciado por não termos esperado mais, porque se eu entrasse em trabalho de parto ela naturalmente entraria em sofrimento. Será?? Disse que foi difícil tirá-la por conta disso. Disse que ela não chorou e que estava um pouco roxinha. E, por fim, pediu desculpas por ter feito uma nova cicatriz em mim. Que a médica anterior cortou muito abaixo do que ele costuma e que ele preferiu a segurança pela estética. Não me preocupei com isso... minha primeira cicatriz é quase imperceptível e espero que a segunda também seja.


Por todo esse tempo fiquei calculando o que poderia ter feito diferente. Sei que os partos das minhas filhas não entram para o hall de partos ideais, mas acho que não devo mais ficar buscando os culpados por isso. Aliás, é claro que me sinto a maior culpada pelas minhas experiências, mas acho que é hora de deixar isso para trás. Tenho duas histórias de sucesso... dentro do que foi possível viver. A indignação que alimentei até hoje foi útil para que eu pudesse conhecer mais sobre partos, sobre médicos, sobre nascimentos, sobre bebês, sobre mim. Mas a lamentação não me traz fruto algum.


Hoje tenho a visão do quanto é importante ter informação. Mas também é importante ser capaz de defender aquilo que se acredita. Acho uma pena, quase um crime, que para ter um parto normal a mulher tenha que lutar por ele. No meu caso, perdi a batalha pela ansiedade, pelo medo. Ir contra o sistema faz com que a gente assuma toda a responsabilidade pelo o que vem depois. Eu vacilei nesse momento. Tinha medo de algo dar errado e de enfrentar a família, o médico... Imaturidade e despreparo. 


Continuo com o sonho. O sonho de escrever a minha própria história. De sentir que meu parto pertenceu a mim. E esse caminho começa na gestação... ou talvez antes... lá na fecundação. Mas com certeza não terei outro filho só para poder ganhar mais uma chance. Nem sei se terei outro filho...


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Relato ao quadrado (Parto da Júlia)

Aproveitando o final de semana para atualizar minhas leituras, acabo me deparando com as postagens da Anne e da Mari . Você já viu?! Mexeu comigo porque minha história é repleta de semelhanças, mexeu comigo porque eu ainda estava no modo lamentação, mexeu comigo porque alguém precisava fazer com que eu encarasse e curasse essas feridas. Pelas minhas filhas e por mim. Obrigada pela reflexão, meninas! De verdade!!

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Já comentei aqui que foi durante a gestação da Júlia (aos 19 anos) que descobri os blog's de mães. Adorei e fiz um para registrar os avanços da gravidez. Não tornei o blog (nem me lembro mais o nome) público porque a exposição não fazia sentido para mim. Além de me dar medo. Minha última postagem relatava o nascimento da Júlia e o blog foi excluído pouco tempo depois (quanto arrependimento!!!).

Apesar de ter sido gerada sem planejamento algum (cursava faculdade e era estagiária), a Júlia foi muito desejada e curtida desde os primeiros instantes em que me descobri grávida. Era a realização do meu sonho maior - ser mãe! O pai dela (que não é o Juan, meu atual companheiro e pai da Joana) recebeu muito bem a notícia e me acompanhou em todos os exames e consultas! 

Na época minha prima estava grávida também (de 7 meses)... ela tinha 18 anos. Passávamos por um momento muito semelhante de vida. "Juntadas" com os namorados, morando próximo, grávidas. Foi uma fase  muito gostosa! Aliás, é uma delícia compartilhar experiências assim com as amigas, né?! Lembro bem que nós duas falávamos em parto normal. Ela entrou em trabalho de parto e ralou uma noite inteira, mas não dilatou o suficiente e acabou numa cesárea. Lembro-me bem que da história dela o que mais me marcou foi a raiva que ela transbordava no dia seguinte por não ter conseguido o parto que queria. Seu filho estava ali, saudável em seus braços, mas ela estava claramente abalada, inconformada. Depois da alta do hospital ela teve enxaquecas terríveis e acabou tendo de voltar e ficou internada por mais um dia ou outro.

Com 5 meses de barriga eu me inscrevi numa aula de hidroginástica. Não era lá um grande exercício, mas certamente era algo que contribuía para que eu não ficasse parada. Nessa altura do campeonato eu já tinha largado o estágio e estava morando de novo na casa da minha mãe. Fazer algo era necessário para que eu não comesse o dia inteiro. Mesmo assim pesei 16kg a mais na penúltima semana (não me pesei no dia do parto então não sei se na última semana ganhei mais alguma coisa... tenho certeza que sim... mas... 16kg já estava demais!). Não fiz nenhum outro preparo para o parto normal e apenas lembro de caminhar bastante nos últimos dias pra ver se Juju resolvia dar sinal. Como não aconteceu, recebi uma ligação da doutora que sugeriu que a cesárea fosse marcada para o dia seguinte (27/12/2004 - DPP). Eu questionei se não poderíamos aguardar até 42 semanas (tinha aprendido isso nas minhas leituras bloguísticas) e a médica me informou que com tanta tecnologia disponível perder um bebê naquela altura do campeonato por CAPRICHO da mãe era inaceitável. Terrorismo feito... eu questionei sobre a possibilidade de induzirmos o parto. Mais uma vez ela se colocou contra com o argumento de que um bebê de 4kg me faria sofrer demais (na última US Juju pesou mais de 3.700g). Pedi um tempo para pensar. Pesquisei tudo o que pude sobre indução, mas acabei decidindo pela cesárea. Não pelo meu provável sofrimento, mas porque vi que as contrações não naturais geravam muito estresse ao bebê e que em muitos casos a mulher acabava mesmo na faca.

Cheguei um pouco atrasada ao hospital, minha chegada era aguardada às 6h e eu só cheguei às 6h30. A médica chamou minha atenção por isso. Lembro-me bem que no longo caminho até o hospital fui fazendo as pazes com a cesárea... pedindo em silêncio que minha filha viesse com saúde e que tudo corresse bem. Eu não queria sofrer como minha prima e muito menos queria deixar de curtir o dia mais importante da minha vida. E assim foi! Depois de assinar toda a papelada fui encaminhada ao centro cirúrgico. Percebi o frio do ar condicionado no momento em que troquei minha roupa por aquela "camisola" de hospital. Tive de aguardar em uma salinha e mentalmente mandava o medo e a ansiedade irem embora. Não fui amarrada, a anestesia me fez vomitar passar mal (visualizei aquele sendo o último episódio... já que eu tinha sofrido com isso durante os 9 meses) e apesar de meio grogue eu consegui acompanhar o que acontecia ali. A equipe conversava sobre coisas triviais, o ar condicionado estava um gelo, o pai da Júlia segurava a minha mão o tempo todo e registrava em fotos o que conseguia, minha pressão caia... o anestesista pedia para que eu prestasse atenção à respiração, a doutora disse que meu útero estava muito espesso e que eu jamais entraria em TP (só pra confirmar a teoria dela... até hoje eu tento me conformar com essas palavras, mas não consigo). Ah! Ela também perguntou ao pai da Júlia se ele me colocava para malhar... disse que meus músculos eram de atleta! Um mega elogio depois de passar a gravidez inteira no meu pé por conta do ganho de peso (aos 6 meses ela chegou a desconfiar de diabetes gestacional). Logo ela anunciou os cabelos da Júlia e aí eu comecei a chorar compulsivamente e nem me lembro quando consegui parar. Foi MUITO emocionante! Júlia foi tirada (eu senti uma pressão muito estranha... não dói, mas a gente sente algo sendo arrancado de dentro...) e veio com seu choro forte ser acalentada pela minha voz. Não fiquei com ela nos braços nesse primeiro momento, mas alguém a segurava perto de mim e eu pude desejar-lhe boas vindas e dizer que mamãe estava ali. Ela parou de chorar. Como combinado o pai da Ju acompanhou (e registrou) todos os procedimentos pediátricos e logo após a limpeza ficou com ela no colo o tempo todo. Foi até a sala em que eu era costurada com Júlia dormindo nos braços, mas ficou pouco por conta do ar congelante. Logo que fui encaminhada para a sala de recuperação pude ter minha filha em meus braços. Ela mamou ali mesmo enquanto eu aguardava o retorno de minhas pernas. Cerca de 30/40 minutos após o nascimento. Foi muito bom tê-los por todo o tempo junto de mim. Não costumo ver esse relato em outros partos cesáreos. Não sei quanto tempo levou (acho que umas 2h) para que eu fosse para o quarto. Fiquei meio zonza e passei o dia sem muita vontade de interagir com as visitas... só queria saber da minha filha que mamava e dormia. Em alguns momentos eu fingia que dormia para não ser incomodada. Senti algumas dores (não podia rir ou tossir) e tive quedas de pressão na primeira noite. Mas depois a recuperação correu super bem! Minha mãe até chamava minha atenção porque com 5 dias eu já estava subindo e descendo as escadas da casa (o computador ficava no andar de cima!rs). Minha cicatriz é praticamente imperceptível. 

Mesmo com essa história de sucesso eu sempre desejei que com o segundinho tudo, TUDO fosse diferente! Eu me via tomando maiores cuidados durante a gravidez (e até antes, porque o segundo certamente seria planejado!), engordando pouco, me alimentando super bem, fazendo exercícios diários! Eu me via entrando em trabalho de parto, sentindo as contrações, tendo prazer mesmo com a dor. Eu me via tendo um parto normal, humanizado, com pessoas queridas ao meu lado.

E, então, 6 anos depois veio a Joana...
(continua...)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Apagão rima com União

"Amor, nunca foi tão divertido ficar sem luz, né?!"

Viver em família é algo que exige certa movimentação. Viver bem em família, corrijo.

Certamente, aqui ainda estamos em adaptação. Uns com os outros. Então vivemos dias de teste, constantemente.

Todos os dias a Joana é a primeira a acordar, a Júlia a segunda. Eu vou zumbizando até a sala, ligo a tv (parceira em algumas horas...), prendo a pequena no carrinho com uma peta de distração, coloco o controle nas mãos da maior que decide ora por Nick Jr. ora por Discovery Kids e volto para a cama. Isso me faz ganhar mais uns 30 minutos deitada (porque eu não exatamente durmo). Confesso que adoro esse momento... fico ouvindo os barulhinhos das duas... ou o silêncio delas e o som da tv. Júlia conversa com a irmã, mostra bichinhos interessantes na tela. Joana ri, às vezes reclama de alguma coisa.

Quando levanto, parto para arrumações. Trocar o bebê, arrumar quarto, cozinha, mochilas. Júlia come algo, faz tarefa de casa. Joana empurra alguma coisa dandando pela casa.

Em alguns dias tudo transcorre bem, em outros tudo "funciona" a base de broncas e ameaças. Em alguns dias o Juan está junto, em outros ele dorme até a hora de sair para o trabalho.

Temos conversado muito sobre família. Sobre papéis. Sobre compromissos. Sobre responsabilidades. Sobre desejos. Sobre direitos. Sobre ele. Sobre mim. Sobre elas.

Apesar da minha ansiedade louca que faz com que eu sempre tenha vontade de tratar tudo (e todos) como um botãozinho on/off; apesar da minha imaturidade que faz com que, geralmente, eu não consiga esperar por nada... as coisas tem se arranjado.

Toda essa experiência em família, não mais como apenas filha, tem me ensinado muito sobre o tempo. O tempo das coisas e das pessoas. Eu sempre quis acelerar o tempo. E o tempo que atropelei agora me faz falta. Talvez seja tempo de aprender sobre paciência. Sobre acreditar.

Hoje, Joana acordou, Júlia acordou, eu, sala, tv, cama, eu, arrumações, Juan, sala, eu, sala, tv... um momento... todos juntos... devedê do Luan Santana girando no aparelho e... acaba a luz.

"Vamos descer com as meninas?" Ele disse.
"Vamos!! Boa ideia!" Eu disse.

Brinquedo pra Joana empurrar, bola pra Júlia chutar e ficamos (os 4) brincando por mais de hora no pilotis!

E, por fim, a frase do começo... ele disse... e eu percebi... que as palavras tem poder, mas algumas coisas só são entendidas quando vividas com o coração.


Imagem retirada daqui


sábado, 10 de setembro de 2011

Onze

Joana completa 11 meses. O décimo primeiro mês tem uma importância singular, não é mesmo? Talvez por ser o último mês comemorado! Mês que vem vamos contar 1 ano... e daí em diante só vamos falar em anos.

Joana está especialmente linda. Vivenciando uma fase magicamente incrível. Tem dado passinhos... já contamos 15 de uma só vez. Ela cai, senta e levanta. Engatinhar é pros pequenos! Parece que ela nunca gostou muito mesmo de se arrastar no chão. O pezinho direito continua pisando tortinho pra dentro. Não sei se chega a atrapalhar o equilíbrio. Coisa mais rica é perceber a concentração para se levantar. O olhar toma um rumo diferente, como se naquele momento ela só conseguisse olhar para dentro... o objetivo único é organizar-se e levantar. Isso que a gente faz tão fácil e toda hora que nem parece ser algo grandioso. Mas é uma vitória o cérebro anunciar um comando e o corpo obedecer. 

**Pensei no Léo da Mari falando nisso... no vídeo em que ele toca o violão. É algo parecido... mas a emoção da Mari é infinitamente maior que a minha, obviamente. Leãozinho, você está em minhas orações! Força, campeão!!**

Joana agora anda de cadeirão no carro e eu tenho curtido muito espiá-la pelo retrovisor interno. Às vezes ela fica um tempão namorando pela janela a paisagem do caminho. Um olhar tão blasé que eu me mordo de curiosidade para saber o que pensa aquela cabecinha. Que o pai insiste em chamar de cabeção!

Joana tem falado pelos cotovelos, mas eu só entendo o "mamã", o "papa", o "au au" e o "imã" que eu mais gosto de ouvir. Sempre imaginei ela tentando falar Júlia... como seria... mas ela fala "imã" cheia de vontade e repete o tanto que a gente pede pra ouvir.

Joana é beijoqueira. O pai que ensinou, agora aguenta. É uma fofura sem tamanho o "beijo de língua" dela. Explico. Pra fazer o estalo do beijo ela coloca a linguinha pra fora. Derrete até coração de marmanjo! E como beija! Beija se ouve a palavra beijo, beija de alguém pede beijo, beija se a gente dá tchau e a última moda é mandar beijo com a mãozinha. Aí é de matar!

Joana não dorme a noite inteira. Não dorme a noite inteira no berço, não dorme a noite inteira sem mamar. Eu achei que ainda iria separar um post especial para falar sobre o sono entrecortado, mas o fato é que eu não tenho mais muito saco pra ficar reclamando dela não dormir como eu gostaria... Resolvi levar na malandragem, encarar esse tempo de dedicação noturna com tranquilidade, normalidade e serenidade. Afinal, o que são 1, 2 ou 3 anos perto de uma vida inteira? Só que ainda não consegui deixar o sono e o cansaço que me acompanha o tempo inteiro de lado. Como queria que meu corpo se acostumasse logo pra eu nem sentir falta de dormir como um anjo.

Joana ainda mama no peito. Joana come super bem! Aliás, desde a primeira semana de introdução dos sólidos. São raras as vezes em que ela não come tudo do pratinho (uns 300ml). Só comeu mal semana passada quando teve sua primeira dor de garganta acompanhada de sua primeira febre. Uma virose chatinha que a deixou de olhos caidinhos e que abateu a irmã logo que ela melhorou. Foram 3 dias ruins pra cada, uma de cada vez. Eu terminei a semana acabada......

Joana é uma luz. Ilumina nossa família desde os tempos de barriga. Trouxe mudanças, experiências, responsabilidades e amor, acima de tudo. 

Sou muito grata pela sua presença em minha vida, por ser sua escolhida!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A história do Vaga-lume da madrugada

Imagem retirada daqui
Numa noite dessas qualquer... eu acordei para acudir Joaninha que choramingava... era alguma hora no meio da madrugada. Eu já relatei aqui que não tenho muita sanidade quando acordo em horários que meu corpo (e minha cabeça) pede cama... horizontalidade... silêncio... inércia... sonhos... mas, enfim, bebê chamou e eu levantei. 

Para minha surpresa - e tristeza - Joana estava ensopada! Tadinha dela. E de mim. A fralda que nunca tinha vazado, vazou... #dicumforça. Tinha xixi até a altura do pescoço. Certamente, fiz alguma coisa errada na colocação dos recheios... sei lá. Peguei bebê, peguei outro pijaminha, peguei fralda limpa e recheios limpos que estavam pendurados no varal e fui trocá-la no sofá. 

Contextualizando. O sofá fica na minha sala. A minha sala é bem pequena. Na frente do sofá tem um móvel. No móvel tem o decodificador da Net e o aparelho de DVD. O aparelho de DVD tem uma luzinha verde. O inseto vaga-lume também tem uma luzinha verde.

Coloquei Joana deitada e fui montar a fralda. No que peguei nos recheios vi uma luzinha verde. Vaga-luuuuuume!!! Eu gritei falei alto sacudindo e lançando a fralda ao chão. Catei uma fralda descartável e troquei a menina. Dei peito e dormimos. 

Acordei intrigada. Que azar sorte doida essa... um vaga-lume se instalar bem nas fraldinhas da Joana! Fui catar a fralda que larguei no meio da sala quando olhei pra luzinha do aparelho de DVD. Olhei para a fralda na minha mão, olhei para a luzinha, olhei para a fralda, olhei para a luzinha...... rá!! O VAGA-LUME!!!

Moral da história do vaga-lume da madrugada: a luzinha verde do aparelho de DVD refletiu nos botões da fralda. Eu preciso dormir mais. PRECISO!!