sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Reflexões sobre educar

Eu não tenho muito saco pra ficar gastando energia por aí defendendo um ponto de vista que é meu. Eu entendo que o mundo é cheio de diversidades, cheio de pessoas com crenças, valores, experiências, princípios e hábitos diferentes dos meus. Um dos exercícios que mais tenho feito ultimamente é o culto a tolerância. E, sim, isso começa dentro de casa.

Algumas reflexões eu deixo de trazer para esse cantinho pra que essa página não vire um campo de batalha... como canso de ver por aí. Não curto e quero me manter fora das rixas bloguísticas. Mas tenho sentido falta de compartilhar uns pensamentos. Afinal, escrever sempre me ajudou a elucidar interrogações.

Essa introdução (desnecessária?) é para que ninguém sinta ao ler o texto que eu estou tentando me dizer certa, dona da verdade. Okay?!

Estava conversando outro dia com um amigo sobre palmadas. Não sobre a Lei. Conversamos sobre o educar através de tapas, beliscões (né, vó?), cintadas na bunda.

Contextualizando. Eu não apanhava da minha mãe. Meu pai não viva conosco e não participava da nossa educação cotidiana. Portanto, também nunca levantou a mão pra mim. Aliás, do meu pai sequer lembro se alguma vez ele levantou a voz. Mas isso é outra conversa. Outro post. Então que essa história de bater para impor limites é coisa de ET pra mim.

Tornar-me mãe fez com que assuntos como esse encontrassem lugar nas minhas sinapses. E foi nessa conversa que consegui entender exatamente porque não acredito em puxões de orelha educativos. Na vida afora os filhos não poderão recorrer a esse recurso.

Para falar dos filhos a gente usa sempre um pronome possessivo introdutório. MEUS filhos. A bem da verdade essa relação de posse se concretiza com todas as pessoas de nosso convívio. Essa possessividade faz com que incoscientemente a gente coisifique as pessoas. Porque com o que é nosso a gente faz o que quer, não é mesmo? Imagine então os filhos... que além de nossos foram feitos por nós. Dessa forma, nós educamos como quisermos da maneira que for melhor para nós.

Acredito que a nossa cultura hedonista nos faz extremamente individualistas, egoístas, focados no nosso umbigo. Isso se reflete na forma como educamos nossos filhos. Se pensassemos nos filhos como pessoas que habitarão um coletivo talvez os educaríamos de outra forma. Talvez eu me preocuparia em fazer com que minha filha arrumasse  a cama dela todos os dias.

Vale dizer que minha filha (de quase 7 anos) dá trabalho. Graças a Deus! Ela é saudável e demanda atenção, cuidado, carinho. Às vezes percebo que ela só quer um olhar... mas quanto barulho ela tem que fazer para eu ouvir? Muitas vezes minha filha me tira do sério. Fico sem resposta, com cara de tacho, com raiva. Sei que preciso agir rápido e certo. Por vezes não consigo nem um, nem outro. Confesso. Já bati. Foram 3 tapas na coxa esquerda. Eu lembro do momento, do dia, do lugar, eu lembro da coxa. E, claro, lembro da dor, de me sentir fraca, rasa, ignorante, desprovida de argumentos e autocontrole. Foi péssimo. E o que eu ensinei a ela com isso?

Quantas vezes você já teve vontade de bater no seu chefe, no seu amigo, no cara que te deu uma fechada no trânsito, no professor, no mendigo, no filho da amiga, no marido? Quantas vezes você já se viu frustrada com essas pessoas? Ou quantas vezes você já sentiu uma raiva tão grande que fez suas bochechas tomarem cor de rubi? Você apelou para o tapa? Beliscão? Cinto? Enfim, agredir qualquer outra pessoa (mesmo que você tenha MUITA justificativa para isso) é crime. Por que a gente se sente livre para fazer isso em casa?

Pessoalmente, acho ensinar sobre respeito um dos maiores desafios. Respeito aos outros, aos objetos, aos animas, respeito a si próprio. Também arrepio quando o assunto é limites. Por mais que eu procure ainda não encontrei a solução para agir de maneira eficaz tirando a criança daquele momento de surto, birra, ataque e trazendo ela para a consciência, para a atenção. Eu decidi não usar o tapa, mas ainda grito. Ao meu ver, o grito também é qualificado como violência (seus ouvidos não concordam?).

Fato é que educar é punk. Exige esforço. Exige desejo. Exige reflexão. Exige.

5 comentários:

Ana Campos disse...

Excelente texto...gostei mesmo.
Educar realmente exige muito de nós, é a parte mais difícil quando o assunto é criança.
Concordo com vc, quase não apanhei dos meus pais, até porque era uma criança considerada tranquila...também perco a paciência e tenho vontade de bater, mas me controlo e acho que não é assim que se resolve...

Ivana - coisademae disse...

Ju, concordo plenamente com você! Eu levei surra de cinto quando pequena e nunca me esqueço desse dia. Não sou traumatizada por conta disso, mas sei que não é isso que quero na criação dos meus filhos. A minha opção é pela conversa, pela reflexão, pela educação sem qualquer tipo de agressão física. E, com certeza, dá mais trabalho e exige mais paciência, coisa que deve ser trabalhada diariamente.

Bjos e parabéns pela reflexão!

Karen disse...

Perfeito Fabi!
Mandou muito bem. Como educar exige muuuuuito de todas nós. Como cansa, como dá trabalho, como nos desafia, como frustra, como é tudo uma questão de erros e acertos.
E, acima de tudo, de exemplos. E palmada, definitivamente, não é o exemplo que queremos passar para nossos filhos.

Beijo,
Karen
http://multiplicado-por-dois.blogspot.com/

Marusia disse...

Exige reflexões... como esta! Concordo!
Beijos
Marusia

Mamãe Jú disse...

Nem me fale... as vezes é mto dificil mesmo... Eu tb ja bati mna minha filha, uma vez, me senti pessima... e foi apenas um tapa na bunda. Mas me senti como vc descreveu, fraca, sem controle, pessima mae e assim por diante.

Quando descobrires o que fazer para tirar as crianças de um surto de birra, em que mesmo que vc se abaixe e converse de maneira calma mas firme, e ela nem olha pra vc mto menos te escuta... me avise
Bjos e bom fim de semana